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O homem que me devora
Há — ele me comeria.
Pela voz. Pelos cabelos.
Ele me comeria.
Eu cederia por prazer.
Meu pau duro, e ele me comendo.
Como eu queria ser mulher para ser tomada por ele,
e ele mulher para que eu o comesse.
Desceria minhas calcinhas.
Queria sentir, no corpo inventado,
o choque do desejo.
Imagino sua boca em meu pau,
ou meu pau em sua boca.
Nossas bocas. Nossas línguas.
Trocar de corpos.
Ser arrastada pelo seu gozo,
jorrando em meu rosto.
Eu ela. Eu ele.
Um só corpo. Duas almas.
Eu daria todas as noites
para ele ler seus poemas recém-feitos.
Eu mulher.
Eu homem.
Eu humano.
Humana.
Glaubia Costa
23 de dezembro de 2025
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