O campo aberto do amar

Na adolescência, dois garotos procuram informações sobre sexualidade. Anos 80. Chegam a um livro empoeirado de Kinsey. Um dia, num campo, surge a vontade de experimentar o sexo. Mas não vem a ereção. Nem o toque. Vem o desejo. A bissexualidade, desde a infância, era atravessada por conflitos alimentados pela velha moral cristã.

Hoje, ele percebe: somos humanos. Não deveríamos nos aprisionar às siglas. Faltou educação sexual nas escolas. A sociedade, porém, segue perversa em seu moralismo, enquanto jovens são lançados à pornografia de acesso rápido — do celular ao computador. Precisamos debater essa questão a fundo.

Segundo Freud, nascemos bissexuais. Então por que homens, sendo humanos, não têm acesso à seda, às saias, aos tecidos leves em suas cuecas? Muitos aderem às calcinhas. Liberdade em tempos do movimento LGBTQIA+. E nós, mulheres, seguimos enfrentando o feminicídio e as críticas sobre como nos vestimos. Vi uma mulher idosa, com a calcinha à mostra, em um ônibus intermunicipal. Uma liberdade, às vezes chocante. Mas somos livres — mulheres e homens — com o destino de amar.

O amor deve nos mover. E a escola deve acolher esses debates, assim como a família. Mas, dada a realidade brasileira de lares conservadores, isso é um desafio. Quantos adolescentes, mulheres e homens, ainda precisam de uma formação que os liberte?

Glaubia Costa
14 de janeiro de 2026.

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