Canção de amor a mim mesmo
Canção do armário. Frestas de tesão.
Tem pessoas que são bissexuais, gêneros fluidos e são discretas. Vivem em seus mundos. Homens curtindo ver roupas femininas, querendo misturar. Em suas tentações, se fecham a se soltar. E têm algumas poucas experiências na vida. Ficam no desejo, mas se jogam discretamente.
Em dias de primavera o tesão flui. Aquelas calcinhas que homens guardam na gaveta são vestidas como rituais de intimidade. O desejo secreto em tesão. A depilação à máquina. Um vestido estranho, escondido num guarda-roupa.
E o homem e a mulher que não o seduz. Mas às vezes um banho de mar, uma troca de olhar, e se joga num sexo... ninho secreto de se amar e amar o outro. Como é prazeroso ser o que é, mesmo na discrição, no conflito com o próprio desejo sexual. Uma tensão. Um tesão sem limite. À espera de outro amor.
Nelson Rodrigues soube retratar isso? Allen Ginsberg. E o poeta profano Walt Whitman. Vidas maduras, cheias de tesão. Na chegada aos 60, o amor a si mesmo não tem limites. A sexualidade é um tratado nas entrelinhas da vida. Corpos e almas sedentos por noites, manhãs de realização.
Somos pura performance social.
— Glaubia Costa
Sábado
20 de setembro de 2025
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