A velha calcinha
Sou tão contraditória...
Tão indecente.
Não sei se amo mais mulheres do que homens.
Vestir minhas calcinhas, escolhê-las nas lojas,
já tive costureiras que as fizeram pequenas tangas.
Sábado sobe dele.
Mas ele é passado. Só passado.
Fizemos amor numa tarde qualquer, há muito tempo.
Eu o devorei.
Só não me penetrou.
Tenho dúvidas até hoje.
As calcinhas, porém, são puro encanto.
Uma colega professora disse que aprendeu a fazê-las em aulas de corte e costura.
Quase encomendei...
Mas professoras têm tanto trabalho em casa.
Ele me amou naquela tarde,
não sei se era verão ou outono.
Só não me possuiu.
Hoje quero descobrir novos amores,
desventuras.
Sou só silêncio.
Glaubia Costa
31 de Agosto de 2025
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