Como a canção de Cazuza: segredos de liquidificador
Por Glaubia Isadora Costa
Ele, com urgência, procurava um documento e encontrou fotografias da infância. Aos sete anos, pediu ao GPT para transformá-lo em menina — e gostou do resultado. Desde sempre, tinha essa mania reservada de gostar do feminino. Já transou com homens, mas sente mais atração por mulheres. Quantas pessoas vivem sob essa descrição, guardando esses segredos?
Hoje, ele consolidou um blog com um heterônimo. Misturar roupas masculinas e femininas é seu desejo. Já usou saias, vestidos — e há anos usa calcinhas. Tão coloridas… calcinhas coloridas. Antes seria chamado de “bicha”, “gay”... Hoje, com o universo LGBTQIA+, há inúmeros nomes. Mas ainda assim seria ofendido com os mesmos rótulos.
Às vezes, tem vontade de experimentar o universo drag, mas é meio recatado para esse tipo de performance. Gosta mais de literatura e arte. Já usou um vestido indiano na Flip, em Paraty. Saias pela cidade. O que uma mulher acharia desses seus desejos? Como na canção de Cazuza, são segredos de liquidificador. Deve levar esses sonhos até o túmulo?
Imagine um lugar mágico para se soltar. Ter um guarda-roupa com essas coisinhas femininas.
Ah, a vida é cheia de mistérios.
Hoje ele se sente livre com seus desejos de liquidificador.
Sonha em encontrar uma mulher que o compreenda
e o ame sem essas máscaras.
Glaubia Isadora Costa
31 de julho de 2025, inverno.
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