Canção ao Feminino de sua alma

Glaubia Costa

E ele canta em versos íntimos:
Sou lésbica.
Amo as mulheres no meu Eu feminino.
Recorda sempre um caso de amor…
Nas estradas da Bahia,
calcinhas coloridas,
aquela mulher tão magra,
em cima dele,
roçando o corpo em êxtase.
Depois, ele a penetrou.
Na intimidade,
dois espíritos femininos.
Ele realmente seria livre,
se mulher fosse.

E ele conta, em seus versos íntimos:
Eu, fêmea.

Segue sua jornada heteronormativa —
nas aparências.
Mas sua alma é livre.
Busca a mulher
que o encontre
e o dispa de máscaras.

Calcinhas coloridas
incendeiam sua imaginação.
E canta em versos íntimos:
Eu, fêmea. Eu, lésbica.
Diante de um amor ainda irrealizado.

Suas calcinhas, em gavetas.
Um vestido, no guarda-roupa.
Ele —
e seu espírito feminino
num corpo masculino.

Amanhã,
ei de fazer a barba.
Mas hoje,
ele canta em versos:

Eu, fêmea.
Nada mais que feminino!

Quinta-feira, 3 de julho de 2025 – 14 graus. Chove.

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