Inventário de Peles
Glaubia Costa
Abril de 2025
Cheiro de chuva...
na madrugada...
um calor...
Eu estou curtindo a sensação do meu corpo.
Então quero saber:
como as pessoas lidam com o tesão —
sejam mulheres, sejam homens —
para eu criar poemas,
experimentando a sensação.
Tem hora que dá vontade de vestir outros corpos...
Eu sou livre.
Amo mulheres e homens.
Hoje me sinto mais livre,
na maturidade,
para ser eu mesmo,
sem a pressão de gênero.
Hoje me masturbei pela manhã,
desejando homens e mulheres.
Amo usar calcinhas.
Sim, meu amor,
nós já criamos, juntas e juntos,
inúmeras histórias de trocas de corpos —
sem limites,
sem puritanismo.
Isso é um ensaio,
um brincar entre corpos imaginários.
Estou na cama,
numa tarde de outono,
com uma coberta,
experimentando a sensação de ser outra,
ser outro,
enfim —
uma multidão de corpos:
em cores,
sutiãs,
saias,
calças,
calcinhas,
paus,
bucetas,
vaginas,
pênis...
uma multidão de seres.
Eu,
um desejo.
Minha vagina incendiada de desejos...
meus ouvidos,
garganta,
boca...
Minha pele em desejos profundos,
nesse efêmero existir...
Me toco.
Meu falo ainda flácido,
esperando o desejo de uma vagina,
de outro pênis.
Corpos que me tocam,
me penetram,
e eu a chupar
bucetas
e paus
numa casa amarela de amores,
vestidos de almas corsárias.
Ser outros.
Outras.
Eu,
maduro...
madura...
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