Confissões de amores clandestinos

11 de março de 2025. Terça-feira.

Ele sempre em silêncio. Mas sua alma é feminina. E a solidão não o entristece. Caminhante na solidão. Já se vestiu com velhas roupas femininas na casa de um amigo. Travestir-se. Na solidão de tardes de verão… Às vezes, acabava em uma solitária masturbação.

Na adolescência, via a calcinha da prima no banheiro. Era a marca: Hope. Hoje, já na maturidade, experimentou essa calcinha. Ser homem é algo estranho a ele. Mas segue sua jornada solitária.

E me conta a mim, Glaubia. Eu o conheci num shopping em minha juventude. Nos falamos, ele me cortejava. Mas eu nunca deixei que me tocasse, que me amasse. Silenciosamente, minhas pernas fechadas eram um não. Já me despi algumas vezes diante de seu olhar estranho. Nós nos confessamos. Mesmo quando casei, sempre nos vimos. Tive filhos, marido, e sempre estivemos próximos. Ele me via nua em cocheiras e praias. Nunca me tocou. Era um amor platônico.

Eu contava, confiava minhas transas da juventude. Um dia, um namorado e um amigo se banharam nus numa pequena cachoeira. E eu não os amei. Por um pouco, esses dois não treparam.

Ele, sempre apaixonado por mulheres, não me contava seus desejos também por homens. Sua vontade de estar numa prisão e ser comido. De tirar calcinhas. De ser devorado por grandes pênis. Ele se despia e vestia as calcinhas da irmã de um amigo solitário. Vestidos, calças, saias.

Ele queria ter nascido mulher. E não admitia a vontade de dar o cu. Seu cu. Só experimentou um pau após os cinquenta anos. Deu para um jovem de um pau enorme. Suas calcinhas em silêncio num quarto… Aquele pau, que entrou pela metade. Num dia de chuva de verão.

Ele ama mulheres e homens. E ainda não comeu um cu. Almeja transar com mulheres e homens ao mesmo tempo. Ama seus vestidos e calcinhas. Aguarda, com tesão, um outro macho que o devore.

Beijos.

Sua amiga, Glaubia Costa.

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