Uma experiência de escrita usando as inteligências artificiais, dando os comandos ...deep seek .. 


*Título: "O Homem no Espelho"*


Acordou com o peso do corpo diferente. Não era dor, nem cansaço — era uma leveza estranha, como se os músculos tivessem sido esculpidos em água. Lucas ergueu as mãos diante do rosto e viu dedos finos, unhas curtas mas delicadas, veias menos salientes. A respiração falhou quando percebeu o cabelo loiro — loiro? — escorrendo sobre os ombros nus. Saltou da cama, tropeçando em pernas mais longas, mais suaves. O espelho do quarto confirmou: um rosto oval, olhos amendoados, seios pequenos sob a camiseta larga que ainda cheirava a ele, a Lucas. 


"É um sonho", murmurou, mas a voz era aguda, melodiosa. Uma voz de mulher. 


Correu para o banheiro, esfregou o rosto, torceu a pele como se fosse uma máscara. Nada mudou. Abriu a gaveta da pia, procurou a navalha de barbear, mas as mãos tremiam. Quando olhou novamente para o reflexo, viu lágrimas escorrendo por uma face que não reconhecia. "Isso não sou eu", sussurrou, mas até o sussurro soava alheio. 


A porta do quarto se abriu. Marina, sua esposa, parou na soleira. "Quem...?" Ela recuou, segurando o batom que havia caído de suas mãos. "Lucas?" O nome soou como uma acusação. Ele tentou abraçá-la, mas ela se encolheu, os olhos fixos no decote da camiseta, onde dois pequenos seios arredondados marcavam o tecido. "Não toque em mim", ela disse, e a voz dela, antes cálida, estava fria como vidro. 


No trabalho, as pessoas riam. "Nova aquisição da equipe?" O chefe olhou para suas pernas, visíveis sob a saia que Lucas vestira por desespero — não havia mais calças que servissem. Ele tentou explicar, mas as palavras se embaralhavam. Demitiram-no por "brincadeira de mau gosto". 


À noite, Marina trancou a porta do quarto. Ele dormiu no sofá, ouvindo o tic-tac do relógio da sala ecoar como um juiz. Sonhou que corria atrás de si mesmo, de uma sombra com sua voz rouca, suas mãos calejadas. Acordou com o próprio grito — ainda feminino, ainda estranho. 


No quinto dia, viu um homem olhar para ele na fila do mercado. Era um olhar de desejo, o mesmo que ele dirigia a Marina nas manhãs de domingo. Enjoo subiu à garganta. Em casa, trancou-se no banheiro e tentou rasgar a própria pele, arrancar os seios com unhas afiadas. Sangrou, gritou, mas o corpo se regenerou como cera derretida. 


Na semana seguinte, Marina pediu o divórcio. "Não posso viver com um fantasma", disse, sem olhar em seus olhos. Ele ficou parado na varanda, observando-a sair com uma mala, e pensou em gritar: "Eu ainda sou eu!". Mas a voz não o obedecia. 


Às vezes, Lucas caminhava até o lago do parque e fitava o próprio reflexo na água. A mulher ali era bonita, loira, frágil. Uma estranha que usava seu nome como roupa velha. Um dia, jogou uma pedra na imagem. Ondas distorceram o rosto, e por um instante, ele viu seus traços antigos, a sombra do que fora. 


Quando a superfície se acalmou, só restou o desconhecido. 


E a porta do mundo se fechou.


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